As vítimas do Estado

Por Nelson G. Souza

De modo muito superficial, e suficiente para o propósito deste post, entende-se por vitimização secundária a violência causada pelo sistema de justiça criminal em função de sua própria estrutura e dinâmica processual e procedimental, as quais, ao estarem focadas basicamente no criminoso, esquecem dos danos sofridos pela vítima (físicos e psicológicos) como resultado da violência a que se viu primariamente submetida.

O Jornal Correio Brasiliense de hoje notícia a prisão de uma mulher, no Núcleo Bandeirante que, segundo apurado, teria mantido seu filho de 29 anos acorrentado à cama. Indagada a respeito das razões, teria declarado que o fez para protegê-lo dado que o rapaz é esquizofrênico paranóico e usuário de drogas e, mais, que estaria envolvido com o que ela classifica de “más companhias”, possivelmente usuários tal como ele ou, pior, traficantes de drogas.

A leitura do resto da reportagem dá conta que a mulher está há 17 anos lutando com a doença do filho e, cansada de vê-lo sofrer abusos, resolveu tomar uma medida drástica de proteção. Além disso, ainda declarou que o Ministério Público teria retirado os direitos civis do rapaz sem, entretanto, propor ou determinar qualquer solução adicional que ajudasse em seu tratamento.

A mulher ainda informou que habita um quiosque, e que o filho vive em uma quitinete, de favor. Ao que tudo indica, a “criminosa”, presa em flagrante, vive em condições precárias, sem as condições mínimas para atender as necessidades de seu filho deficiente e tampouco as suas próprias.

O delegado responsável pelo caso, informou que ela foi presa pelo crime de cárcere privado, cuja pena pode variar de 2 a 5 anos de reclusão. Interessante, entretanto, é que o poder público, incluindo o próprio agente da lei, desconhecesse tal situação, em especial por se tratar de um adicto a drogas que, por sua relação com o mundo do crime, devesse estar sob observação ou investigação.

Bem, esses são os fatos narrados na reportagem. A ser tudo verdade o que é narrado e o que é declarado pela mãe da suposta vítima de cárcere privado, algumas considerações precisam ser feitas, e as faço completamente fora do campo do direito, embora reconheça que ao delegado de polícia não restasse outra alternativa.

Antes de tudo, há que se perguntar qual o suporte oferecido a essa “criminosa” para que tivesse a mínima condição de atender as necessidades de seu filho, deficiente, portador de uma doença psicológica complexa, a qual se manifesta, muitas das vezes, de diferentes modos, entre eles a violência física contra si mesmo ou, pior, contra terceiros.

Aliado a isso, que suporte foi oferecido para essa “criminosa” para que pudesse dar ao seu filho, usuário de drogas, uma oportunidade de recuperação?

Ao contrário, sendo verdade o que foi por ela declarado, o que o Estado fez, por via do Ministério Público, foi simplesmente retirar os direitos civis do rapaz, provavelmente atribuindo à mãe a responsabilidade do cuidado a partir dali e, partir daí fechou os olhos para as consequências naturais da decisão tomada, potencializando um problema que já se manifestara de modo objetivo e desconsiderando as condições da mãe de atender adequadamente à prováveis medidas impostas.

E é exatamente assim que o Estado brasileiro, através de suas instituições vem agindo historicamente em relação às vítimas de violência, ou seja, torna-as vítimas dele próprio, quando impõe medidas que, dadas as circunstâncias, muito comuns, não poderão ser atendidas pelo que foi responsabilizado, pelas condições mesmas que o cercam.

No caso em exame na notícia, duas vítimas do Estado restam evidentes, aquela que não foi primariamente atendida para ter suas deficiências atendidas, e aquela, que por desespero tomou medidas drásticas diante da inércia e da inconsequência desse mesmo Estado que tem, historicamente, relegado às vítimas de violência a um segundo plano, quando não potencializa pela visão estritamente jurídica do fato, a vitimização dos que não obtém nele e dele, qualquer apoio. Mais fácil foi criminalizar a conduta da mãe, do que dar a ela, no tempo certo, as condições necessárias de ajuda e proteção que evitassem o desespero a que chegou.

Esse é o Estado a que estamos todos submetidos e que nos tratará de forma diferente segundo sejam nossas posições na estrutura social. O que mais me choca, e acredito que a todos de boa fé, é como o Estado brasileiro tem sido hipócrita em seus discursos e campanhas, ao anunciar de forma leviana sua preocupação com os mais necessitados. A pergunta que me resta fazer: de que necessitados e de quais necessidades esse Estado cuida?

Uma última pergunta: caso a mãe venha a ser condenada á reclusão, pelo crime que, em tese, cometeu, quem cuidará de seu filho deficiente e adicto a drogas? O Estado?

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Antes do apagar das luzes…

turn_off_lights1Não gosto, como muitos, de simplesmente copiar e colar notícias de jornais ou outras fontes, sobre assuntos que considero relevantes. Prefiro comentá-las segundo minha visão de mundo (que pode estar errada, não ser a melhor, mas é minha, e é meu tributo à liberdade de expressão que está se tornando cada vez mais cara a cada um e a todos nós).

Hoje não posso deixar de comentar a notícia veiculada no Correioweb sobre as medidas que estão sendo tomadas pelos deputados distritais (os “d” minúsculos são intencionais e representativos do que penso deles, com raríssimas exceções) no apagar das luzes, para que não sejam ameaçados de cassação senão após decisão judicial transitada em julgado, soma-se a isso, outra medida que impede que cidadãos possam representar contra eles, deputados, por quebra de decoro, senão através de partido político.

Mais uma vez. nossos políticos locais, honrando a tradição de seguir a casa federal, replicam aqui o que há de mais ilegítimo (há imensa diferença entre legítimo e legal) e espúrio em termos de comportamento daqueles que, eleitos para representar os cidadãos, tornam esses mesmos cidadãos reféns de suas falcatruas, impedidos, legitimamente, de exercer, de algum modo, seu arrependimento, propugnando pela cassação do candidato que desonra o compromisso que teria selado com seus eleitores.

São tão insidiosas e desonestas as medidas, que mesmo alguns deputados da casa sequer sabiam delas, conforme o artigo do Correio, o que torna esta incursão contra a democracia ainda mais aviltante. Digo isso porque, como leigo nas questões do Direito, não me parece que deva haver uma conexão, pelo menos direta, entre questões que encontram-se muitas vezes, em diapasões opostos, como parece ser o caso do decoro político, de natureza moral e devendo ser julgado como tal, e uma sentença judicial, de natureza legal (obviamente, haverão aqueles que dirão o contrário, usando, certamente em excesso, todos os possíveis formalismos jurídicos à disposição, bem como todo o fisiologismo e o sofisma típico daqueles que tentam defender o indefensável).

A questão é: o que fazer a respeito? Talvez fosse o momento de determinadas representações importantes da sociedade, como por exemplo, a OAB, se insurgirem contra medidas dessa natureza que, repito, podendo ser até legais, são ilegítimas, porque não referendadas pelos cidadãos eleitores. No mesmo diapasão, me parece que essa também seria uma missão para o Ministério Público que tanto se vangloria de defensor da cidadania, mas pouco o vemos se levantar de forma veemente e incisiva contra medidas como essa, típicas de republiquetas de bananas nas quais o que vale é perpetuar-se no poder até a última gota de leite da teta pública.

Infelizmente, penso que os últimos anos não nos têm servido de lição em relação ao que pode acontecer quando nós cidadãos não assumimos o papel que nos cabe de nos rebelarmos, cada um com os instrumentos que dominamos e de que dispomos,  fortemente contra a tentativa de encabrestar-nos num processo cada vez mais alienador que acaba por nos conduzir, num ritmo muito rápido, a um nível de conformismo com a relativização de princípios morais e éticos outrora cultuados, e que hoje seguem vigendo ao sabor da conquista e permanência no poder, de pessoas, grupos e partidos, e cultuados ou rechaçados segundo seja o interesse do momento.

Pergunto se já não estamos cansados disso. Se a resposta for, sim, o que faremos a respeito?

Por fim, pergunto se não há, ainda, naquela casa legislativa, homens e mulheres honrados que se rebelem contra tão aviltantes medidas. Se existem e se calam, isso só faz com se enlameiem em suas próprias omissões.

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“Macaco não enxerga o seu rabo, mas enxerga o da cutia.”

No Correioweb de hoje, 24/10/2014, na matéria intitulada “Aécio e Dilma criticam o tom da disputa eleitoral e reclamam de ataques”, há reclamações de ambos os candidatos pelo modo com que foram e vêm sendo tratados um pelo outro. Num trecho, que transcrevo aqui, Aécio reclama ter sido chamado de “filhinho de papai” pelo ex-Presidente Lula e a Presidente Dilma reclama de forma objetiva o fato de ter sido chamada de “leviana” pelo seu opositor, Aécio Neves. Vejamos:

“Essa campanha será estudada e tida como a de mais baixo nível desde a redemocratização”, disse Aécio, acusando os concorrentes de espalharem boato de que ele acabará com o Bolsa Família, caso seja eleito. Já Dilma questionou “se é correto alguém chamá-la de leviana”. “Eu sou presidente da República, sou mulher, mãe e avó”, afirmou.

O que me preocupa, dentre outras coisas é: será que a Presidente Dilma sabe qual é o significado da palavra leviana na língua portuguesa? Acho que ela está confundindo alhos com bugalhos. Considerado o real significado da palavra (por favor consultem dicionários), ela está fazendo tempestade em copo d’água, já que o candidato adversário não foi mais além do que dizer que ela, de acordo com os dicionários Michaelis, Aurélio e o Aulete, irrefletida, imprudente, inconsciente, precipitada, insensata, não tem seriedade ou que procede repreensivamente.

Qual, nesse caso, a relação que o qualificativo utilizado pelo Aécio tem com o fato de ela ser presidente, mãe e avó? Não entendi! Principalmente por estarmos tratando de disputa política.

Já o candidato Aécio, também indignado por ter sido chamado de “filhinho de papai” se esquece que qualquer indivíduo na sociedade brasileira com uma história de vida tal qual a sua (bom berço, bom poder aquisitivo, acesso aos melhores recursos disponíveis) será sempre reconhecido como tal não importa o quanto esperneie contra.

Nenhum dos dois casos, entretanto, avaliza qualquer dos dois candidatos a se colocarem como paladinos da justiça social em seu mais amplo sentido. A história de ambos, como gestores, aponta para qualidades e defeitos e penso que nessa reta final a decisão de cada eleitor está muito muito mais voltada à coerência das propostas que cada um deveria estar oferecendo para o futuro imediato do país e de nossa sociedade, do que para as alfinetadas e desqualificações que jogam um sobre o outro. Na verdade, a continuar assim, nenhum dos dois merece o voto dos brasileiros que de, fato, querem uma democracia responsável, pelo menos não andam merecendo o meu. Vou pensar bastante.

Ah! E voltando à questão do Aécio ter sido chamado de filhinho de papai pelo ex-Presidente Lula, eu me pergunto como deve ser chamado quem, embora não tendo nascido nas mesmas condições, alcançou um nível de qualidade de vida e de acesso a recursos (econômicos em especial) que apenas uma parcela ínfima dos brasileiros detém e o restante jamais alcançará. Como diz o velho provérbio: “Macaco não enxerga o seu rabo, mas enxerga o da cutia.”

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Podia ter sido diferente ou, que pena que continuamos fazendo mais do mesmo

Bem, parceiros policiais militares, mais uma vez se repete aquilo que a experiência ainda não logrou fixar em nossas cabeças duras: exceto pelo Deputado Fraga, a quem parabenizo pela vitória expressiva e tremendamente significativa, o que, ao mesmo tempo, lhe dá mais respaldo político, mais responsabilidade e cobra comprometimento cada vez maior com a sociedade do Distrito Federal, todos os demais resultados foram a expressão nítida da falta de união e da prevalência dos interesses pessoais e individuais sobre os institucionais e da categoria (se é que podemos nos chamar assim). Repetiu-se o que inevitável e logicamente era esperado, dada a pulverização de candidaturas, tanto ao nível federal, quanto distrital, de policiais militares (e por que não, de bombeiros e até policiais civis), numa demonstração cabal de que a estratégia de dividir para conquistar, de fato funciona (evidentemente, não para nós) para aqueles que nos conduziram a essa situação com promessas de leite e mel quando fossem eleitos. Deu no que deu.

Muitos certamente não gostarão do que aqui escrevo. É direito de cada um. Todavia, antes que me digam que é fácil fazer análises depois que o fato acontece, eu respondo: a análise, efetivamente, só pode ser feita após a ocorrência do fato. Antes disso, qualquer coisa é conjectura e opinião ou, na melhor das hipóteses, discussão de estatísticas (o que não deixa de ser opinião), nada mais. O fato é consequência ou causa, dependendo do momento da análise. Já anunciávamos, há alguns anos, doze para sermos mais exatos, em pesquisa que fizemos (a qual incluía depoimento do Dep. Fraga), que o único caminho de representatividade possível era: ou, designarmos uns poucos representantes internos, unirmos em prol deles e apoiá-los com toda a força que pudéssemos, ou, do contrário, definirmos por um candidato externo e, firmando compromissos sérios, apoiá-lo em massa no processo eleitoral que nos interessasse. Bem, nem um, nem outro.

Venceram aqueles que apostaram em nossa desunião, nas rusgas internas, num arremedo de luta de classes a la Marx, que nos levou, exclusivamente, à mesma condição em que nos encontrávamos anteriormente. Repito, exceto pelo Fraga, em outras instâncias estamos sem pai e nem mãe, com exceção daqueles que enxergaram no processo eleitoral uma oportunidade de “se arrumar” e em consequência, obterão seus lugares no “paraíso”, pelo menos pelos próximos quatro anos.

E isso já ficou tacitamente demonstrado em alguns dos discursos (em especial para governador) de candidatos que vêm por aí no segundo turno. Pelo menos de um deles, certamente, pouco haveremos de esperar, já que não há prenúncio de qualquer mudança do que vem sendo até agora. Talvez piore (não sou pessimista. Como eu disse, é a realidade dos fatos).

De qualquer forma, novamente teremos mais quatro anos para refletirmos e tomarmos decisões. A oportunidade, ainda que tardia, está dada outra vez. Será que essas eleições terão servido para, pelo menos, nos amadurecermos um pouco mais como categoria profissional? Eu gostaria de pensar que sim. O tempo dirá.

Ah! Aqui um adendo. Enquanto muitos de nós acharmos que somos candidatos viáveis, só porque uma meia dúzia de colegas, amigos e parentes nos disseram isso, estaremos nos enganando e a eles próprios indefinidamente. Acho que as eleições desse ano demonstraram (e vêm continuamente demonstrando) que política é para profissionais (vejam quem são os eleitos e os a se elegerem no segundo turno, no Brasil e no Distrito Federal). Ou aprendemos a lidar com ela como deve ser, ou deixemos para aqueles que sabem.

Outra coisa: pensem bem no que vão fazer no segundo turno. No caso presente, a continuidade pode representar o maior perigo!

Um alerta! Há um franco movimento para a desconstrução total das polícias militares brasileiras. Não pense que se isso ocorrer nós ficaremos bem.

Um abraço a todos.

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E começam as promessas, as enrolações e as idiotices. Deus nos acuda!

Recente notícia publicada no Jornal da Comunidade com o título “Segurança em pauta – Candidatos ao Palácio do Buriti apresentam plano de governo para a área de segurança no DF.”, dá uma ideia do que vem por aí na área de segurança.”, nos dá uma ideia do que vem por aí em termos de planos e programas para a segurança pública do DF.

bla-bla-bla-3Lendo a notícia, o que me preocupa e me enoja no processo eleitoral em curso no DF além, é óbvio, da história de cada candidato e das propostas (pelo menos na reportagem em análise) “embromativas” que não querem dizer nada e não levam a lugar nenhum – palavras e promessas bonitas sem qualquer sentido prático – é ler coisas como as que o imbecil do candidato do PSOL vem dizendo, de acordo com a citada reportagem.

A fala do candidato do PSOL dá uma clara ideia não só do grau de idiotice de um candidato que, no mínimo, desconhece quais são suas possibilidades e limitações como governador, como desrespeita os policiais em geral e em especial os policiais militares (oficiais e praças) quando diz que necessário introduzir “disciplinas de direitos humanos e  cidadania, e de direito constitucional”. De que planeta é esse indivíduo? Ah! Do planeta comunista! Só podia ser! Já que desconhece (ou faz que não conhece) de modo cabal o que está acontecendo ao seu redor, como fazem questão de esquecer, os comunistas, o que fizeram à humanidade ao longo da história. Dizer da necessidade de introduzir tais disciplinas no currículo de formação de oficiais e praças das polícias militares é desconhecer, desrespeitosamente, o trabalho que as escolas policiais vêm fazendo desde o final dos anos 90; é desconhecer que as policias militares têm estado, apesar da complexidade e multidisciplinaridade da questão da segurança pública, na vanguarda das ações comunitárias em prol de uma melhor segurança; é desconhecer, desrespeitosamente, que tais disciplinas, ao final dos anos 90, foram inseridas, de forma massiva em todos os currículos das escolas de polícia militar, dando uma demonstração do esforço das instituições policiais militares em romper os paradigmas até então vigentes. E um imbecil desses ainda quer meu voto. É muita desfaçatez. É um cara-de-pau, leviano e irresponsável.

A mudança desse quadro de violência que envolve as polícias e, consequentemente, leva a casos de violação de direitos humanos, não se assenta numa medida simplista como essa proposta pelo candidato do PSOL. Mais que isso, é preciso reconhecer que vivemos numa sociedade violenta. Matamos mais de 50.000 brasileiros anualmente. Quantos desses são mortos pelas polícias brasileiras? O Relatório da Anistia Internacional de 2009, por exemplo, afirma que só nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, de 2003 a 2008, morreram cerca de 11.000 indivíduos em confrontos com as polícias, em particular, com as polícias militares, ou seja, uma média de 1.833 indivíduos por ano. O Mapa da Violência de 2014 dá conta que de 2003 a 2008 houve uma média de 13.000 homicídios por ano nas duas capitais. O número de indivíduos mortos em confrontos com a polícia em ambas as capitais, portanto, alcança algo em torno de 14,1% do total de homicídios. É alto? Claro! Altíssimo, inaceitável, indigno e todos os demais qualificativos que caibam. Mas e os outros 85,9%? Quem está matando?

Temos que deixar de ser hipócritas – os políticos em especial – já que, muitos deles gestores da coisa pública, são os principais responsáveis pelo estado de coisas que estamos vivendo no Brasil. Quando se fala de impunidade eles são em boa medida, os melhores exemplos.

Não será dando aulas de Direitos Humanos e Direito Constitucional aos policiais que teremos uma sociedade menos violenta. Essa violência, simbólica muitas vezes, começa dentro do próprio Congresso Nacional, quando leis são feitas e desfeitas, para atender grupos de  poder lá estabelecidos ou representados secularmente, sem qualquer remorso em relação às consequências para o povo brasileiro. Creio que os parlamentares brasileiros e, claro, os candidatos, sejam os primeiros a necessitar dessas aulas.

Quando isso mudar e tivermos menos exclusão e mais acesso justo e equânime à educação, saúde, trabalho e renda, é bem possível que essa nossa violenta sociedade comece a mudar e, com ela, a sua polícia. Afinal, ainda não temos uma plantação de policiais crescendo nos quintais das casas dos brasileiros, isentos das mazelas sociais brasileiras. Eles são frutos dessa sociedade que todos nós, para o bem e para o mal, estamos construindo. Não será mudando a polícia que mudaremos a sociedade e, sim, ao contrário.

Portanto, ouvir descalabros da boca de um imbecil como o candidato do PSol, me dá uma sensação enorme de frustração e desesperança ao pensar que para além de tudo de ruim que já temos na política e entre os políticos brasileiros, e o DF não escapa, a coisa ainda pode ficar muito pior.

 

 

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A inequívoca incompetência e inépcia da administração pública

Hoje pela manhã assisti à reportagem sobre as 170 crianças do Itapoã que ficaram sem ir à escola, porque os dois ônibus que as transportavam deixaram de fazê-lo por estarem em condições precárias de atendimento, em especial, de segurança. Até aí, nada mais justo.

Bem, o problema começa quando, ao retirarem o transporte das crianças, não colocam nada em seu lugar garantindo a cada uma delas o direito que lhes é devido: o da educação.

A escola não tem como substituir os ônibus porque, afinal, eles eram de uma empresa privada que os cedia para o fim que se prestavam. Também não tem como contratar novos ônibus, e não é esse seu papel.

Quando consultado, o GDF disse que a solução está em construir uma creche para as crianças em seu próprio bairro mas não tem qualquer previsão a respeito. Ou seja, se alguma outra empresa, por obra de caridade, não ceder outro par de ônibus, provavelmente essas crianças irão ficar sem escola até sabe Deus quando.

Os pais, por seu lado, agora têm outro problema para resolver: não podem ir trabalhar porque não têm com quem deixar suas crianças e, assim, começam a ter dificuldades para manter a casa e, consequentemente, a alimentação das crianças, dentre outras obrigações.

Vejo isso tudo mais ou menos como alguns dos estatutos que regem nossas vidas na sociedade brasileira, entre eles o Estatuto da Criança e do Adolescente. A criança não pode trabalhar porque tem que estudar. Não estudam porque não tem escola. Como não podem trabalhar para contribuir com a renda familiar, seus pais, com a condição ofertada aos excluídos no Brasil, não tem como mantê-los de forma adequada. Como esses jovens não têm outras opções, já que lhes falta acesso, à escola, ao lazer, ao trabalho, etc, acabam por se tornar presas fáceis para o crime. E a vida segue.

Eu não sei se sou idiota, mas não consigo enxergar a lógica por trás das ações do Estado, no caso específico, o do GDF. Não bastava negociar com a empresa e manter lá os ônibus? Ou, por outro lado, não poderiam ter criado condições para que as atuais empresas de transportes pudessem atender aquelas crianças?

Por favor, não me venham com churumelas burocráticas, tentando explicar porque o problema não pode ser resolvido de imediato. Não pode somente porque alguns burocratas idiotas não querem, ou simplesmente porque aquelas crianças, para eles, não são importantes. Essa é a realidade!

 

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Não pude deixar de publicar. Espero que sirva de reflexão.

Uma amiga me enviou, fui atrás da fonte e a encontrei aqui: http://blogdobg.com.br/brasil-x-alemanha-isso-representa-mais-que-um-simples-jogo-representa-vitoria-da-competencia-sobre-malandragem/

Não sei quem é o autor e tampouco isso importa. O que é importante é a mensagem e a reflexão que traz e que espero possa nos ajudar a pensar num Brasil melhor, de outro modo. Segue a transcrição:

BRASIL X ALEMANHA: Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem!

“Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que pra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar! Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado! O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo!  A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade! Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!! O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um país melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha! Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol!!”

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Patriotismo? Que bicho é esse?

patriotismoOutro dia me peguei chorando, emocionado, durante uma cerimônia na escola de meus filhos. Tem sido assim toda minha vida quando ouço ou canto o Hino Nacional Brasileiro, uma emoção incontida que, ao me levar às lágrimas, também me leva de volta à minha infância e adolescência, num tempo em que, diariamente, eu e meus colegas participávamos em nossa velha escola primária e ginasial, do hasteamento da Bandeira do Brasil. Talvez eu não compreendesse bem o que aquilo significava, mas era uma sensação interessante de grandeza que me invadia e que nos dava a impressão de sermos fortes, partes de uma história em que o Brasil, nossa grande pátria, precisava ser defendida a qualquer custo, como coisa de americanos, num filme do Capitão América. Isso nos fazia bem. Tínhamos a certeza de que havia algo adiante, maior que todos nós, que justificaria, de modo indiscutível, o que viríamos a ser no futuro.

Ali, naquelas escolas, formei minhas primeiras convicções sobre patriotismo, sobre amor à pátria, sobre Brasil.

O tempo foi passando, as formaturas matinais e os hasteamentos não resistiram ao tempo e às ideias. Nossa preocupação com o Brasil, essa fortaleza que nos unia em prol de algo muito superior – a pátria -, e que muitos de nós, senão todos, não sabíamos bem definir, foi ficando cada vez mais distante.

Aos dezoito anos me vi servindo a pátria, através das Forças Armadas. Nessa época, sem que houvesse qualquer razão genealógica para isso, fiquei embevecido pela ideia de tornar-me militar, e assim foi. As formaturas matinais e os hasteamentos retornaram à minha vida, e não me lembro de uma só vez que, mesmo cansado, chateado ou de mau humor, eu não ficasse emocionado.

Nos trinta e seis anos seguintes aquelas cerimônias continuaram parte integrante de minha vida, talvez não tão regulares, mas ocorriam sempre, diferente do que se passava nas escolas onde me formei e em outras tantas Brasil afora, onde as formaturas e os hasteamentos se tornaram “coisa de milico”, “demodê”, entre outros adjetivos ideologicamente pejorativos, já não mais ocorriam em nome do “necessário distanciamento” dos resquícios da ditadura e rumo à “democratização” do país.

Sigo acreditando nelas, os hasteamentos e as formaturas. Eles, de certo modo, me trouxeram até aqui porque ajudaram-me a seguir o caminho que escolhi e que, com orgulho, caminhei de cabeça erguida. Orgulho não pelo que sou ou tenha sido, mas pelo que aprendi a sentir pelo meu país, pela minha pátria, pelo verde-amarelo que corre em minhas veias a todo momento.

Entretanto, me revolta e me traz a tristeza ver nosso povo submetido a tanta falcatrua, corrupção, mandos e desmandos em todas as camadas sociais e instâncias de governo, iludido e alimentado a pão e circo, num país cujas riquezas disponíveis não justificam tal cenário. Cenário esse mantido sob um discurso leviano de desenvolvimento e avanços alimentados por assistencialismos destinados a manter e perpetuar a “cordeirização” das classes menos favorecidas, alimentos do lobos corruptos da gestão pública brasileira.


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Hoje, entretanto, ao assistir as propagandas nas TVs me dei conta que, de fato, estamos na Copa do Mundo e me entristeci. E por que me senti assim? Porque também me dei conta que nosso patriotismo só parece durar os poucos dias de uma campanha esportiva a cada quatro anos.

Percebo um frisson desenfreado em todos os canais de TV, propagandas do governo e outros arroubos nacionalistas que não vemos em quaisquer outros momentos da vida da nação, e percebo o quão estamos distantes de nossa pátria, o Brasil. Isso se percebe na mais simples demonstração de desinteresse e falta de apreço pelas coisas da pátria: a falta de conhecimento do próprio Hino Nacional, seja pelos jogadores em campo, pela plateia que assiste aos jogos ou pela imprensa que pouco faz para que esse cenário mude, ao contrário.

Evidente que o esporte é e deve ser uma manifestação de grandeza de uma nação, de aglutinação de seus compatriotas em prol da demonstração da união e da força do povo que a constitui. Não é à toa que os países ditos desenvolvidos se esforçam tanto para serem continuamente campeões. Porém, para além disso, eles se preocupam em tornarem-se fortes em todas as suas manifestações e a todo momento, não somente naqueles em que, como em nosso caso, a alegria de ser brasileiro se demonstra apenas no decorrer de uma partida de futebol.

Me parece, pois, que estamos carentes de voltar às velhas formaturas e hasteamentos, não como um resquício ou hipótese de retorno a regimes de exceção, de qualquer natureza ou ideologia, mas como uma manifestação individual de que sabemos o que somos e o que queremos ser, o que não se resume a meros espectadores de jogos de futebol, principalmente sob um cenário de dúvidas em que o resultado final, infelizmente, só se manifestará algum tempo depois do último apito.

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Complexo de vira-latas

Ronaldo, o “fenômeno”, disse estar envergonhado pelos atrasos da Copa e foi rebatido pela Presidente Dilma que disse que não temos, os brasileiros, complexo de vira-latas. Estou de acordo com ambos. Também estou envergonhado pelos atrasos da Copa. Aí fora só se fala disso. Mas, também acho que não temos complexo de vira-latas. Na verdade, temos é comportamento de vira-latas, ou seja, fazemos as coisas na base do “deixa a vida me levar, na hora saí”. Deus, nos acuda!

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Não gosto de bêbados!

acidente aguas clarasNão gosto de bêbados! São impertinentes, inconvenientes e, principalmente, irresponsáveis. Mas, parece que a justiça brasileira gosta, já que, por 30 mil dinheiros, concedeu liberdade provisória a Rafael Yvanovich, motorista que, alcolizado e dirigindo em alta velocidade, matou por colisão Alessandra (33 anos) e sua filha de 1 ano e 8 meses em Águas Claras no último dia 11 de maio.

“É o preço da impunidade!”, disse a cunhada da vítima, e eu concordo.

Infelizmente, em nosso país, por força de uma legislação frouxa, interpretada para proteger, quase sempre, o infrator, estamos vendo um crescendo de impunidade e de uma percepção de que vale a pena cometer crimes.

Nesse caso em específico, qualquer advogado de defesa, assim como algum jurista de gabinete vai tentar nos convencer de que assim é a lei, e o é para todos. Embora eu até entenda o argumento, baseado no fato de que deva haver apenas um peso e uma medida, me revolta quando o crime é consequência de uma escolha; o Sr. Rafael escolheu embrigar-se e, ao fazê-lo assumiu totalmente o risco de cometer um homicídio, como de fato o fez, não um, mas dois de uma só vez.

Mas, não para aí. Segundo consta, esse cidadão (todos são) tem uma história de irregularidades no trânsito, incluindo embriaguez, que já o fez ser punido anteriormente.

Até onde se sabe, ele estava proibido de dirigir por ter tido sua habilitação recolhida. E, por que então, estava conduzindo um veículo? Alguém o forçou a isso? Por que embriagou-se? Alguém o forçou a isso? Obviamente que não! Foi sua livre escolha embriagar-se, assim como foi sua livre escolha dirigir irregularmente um veículo e, em alta velocidade.

Meus argumentos, eu sei, não são jurídicos, até porque não sou advogado ou assemelhado. Sou apenas um cidadão cada vez mais indignado com a irresponsabilidade do legislativo e do judiciário que, em prol de não sei que causas, vêm legislando e decidindo, respectivamente, de uma maneira tal que a certeza da impunidade é quase absoluta, esquecendo-se, parece, que a vida na sociedade é coletiva antes de tudo, e que os indivíduos devem ser duramente responsabilizados por suas condutas, principalmente quando elas colocam em risco essa vida coletiva ou, pior, quando a cerceiam, como foi o caso de Rafael.

Mas como nesse país, repito, o crime parece compensar, ficou fácil para Rafael escapar das garras da justiça por módicos R$ 30.000,00 e, agora, através de seu advogado, usar esse mesmo sistema judiciário para protelar sua possível (nem tão provável) punição até quando não mais nos reste qualquer lembrança. Assim como já aconteceu com tantos outros.

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